

A sexualidade à sombra do século XXI: Freud e Lacan, Butler e Zupančič
Ministrado pelo Prof. Dr. Douglas Rodrigues Barros
Lattes:http://lattes.cnpq.br/3096579555934934
INFORMAÇÕES BÁSICAS:
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Aulas primeira semana de agosto – das 19h45 às 21h45
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4 encontros. De 03 à 06 de agosto 2026
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Carga horária total: 10h.
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Valor 290,00
Ementa
A sexualidade constitui o núcleo subversivo da psicanálise – não por seu aspecto polêmico, nem por ainda ser considerada um tabu –, mas porque se organiza de modo inconsciente. É nela que Freud fundamenta a maneira pela qual, após ingressarmos no mundo da linguagem, nada no humano permanece imediatamente atado ao fisiológico. A sexualidade é constituída por um desvio. Excedendo o campo da necessidade – isto é, da manutenção e da sobrevivência da espécie –, ela se organiza a partir daquilo que, para pensar com Lacan, chamamos de significante: o elemento que anima a ação do sujeito.
Aquilo que antecede a entrada do sujeito no campo da fala – os acordos simbólicos que estruturam a linguagem – encontra sua função no significante, entendido como operador da experiência do sujeito, simultaneamente produto e produtor da linguagem. A partir disso, há uma ruptura decisiva entre aquilo que imediatamente se ata ao campo fisiologico e aquilo que passa a ser mediado pelo campo da fala. A sexualidade, portanto, desnuda o afastamento do humano em relação à qualquer natureza pressuposta.
E se isso é subversivo não significa, contudo, que a prática psicanalítica – frequentemente marcada por uma inclinação pequeno-burguesa e organizada historicamente em torno de instituições brancas e heteronormativas – não tenha se afastado desse núcleo subversivo.
O presente curso busca recuperar essa dimensão radical da psicanálise, escutando também teóricas que, mesmo fora do campo estritamente psicanalítico, vêm oferecendo contribuições fundamentais para aprofundar o debate e, mais do que isso, repensar as relações sexuais no século XXI. São elas: Judith Butler e Alenka Zupančič. Investigando de que maneira sexualidade, linguagem e diferença sexual permanecem centrais para compreender os impasses subjetivos e políticos do presente, o curso visa promover uma introdução e uma intepretação desse tema espinhoso articulando psicanálise, filosofia e crítica social.
Aula 1: Os três ensaios
• O excesso da sexualidade
• A quebra de expectativas fisiológicas
• Somos todos pervertidos
Aula 2: Significação do falo
• O recalque originário
• A castração como ato de amor
• O falo como função lógica
Aula 3: Problemas de gênero
• O macho e a fêmea
• A binaridade
• A melancolia de gênero
Aula 4: O que é sexo?
• Gozo e desejo
• A diferença sexual não se reduz ao binário
• Liberdade e violência
Referências:
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 20. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022.
______________. Corpos que importam: os limites discursivos do sexo. Tradução de Veronica Daminelli e Daniel Yago Françoli. São Paulo: N-1 Edições, 2019.
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: FREUD, Sigmund. Obras completas. v. 6. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
______________. O mal-estar na civilização. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011.
LACAN, Jacques. Escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
______________. O seminário, livro 20: mais, ainda. Tradução de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
_____________. A significação do falo. In: LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
ZUPANČIČ, Alenka. O que é sexo? Tradução de André Villalobos. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
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