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Pensar à morte: o morrer entre psicanálise e filosofia​

Ministrado pelo Prof. Dr. Douglas Rodrigues Barros

Lattes:http://lattes.cnpq.br/3096579555934934

INFORMAÇÕES BÁSICAS:

  • Aulas última semana de janeiro – das 19h00 às 21h300 

  • 4 encontros. De 27 à 30 de janeiro 2025

  • Carga horária total: 10h.

  • Valor 280,00 

 

Ementa

A morte, se não se tornou assunto proibido, converteu-se em tabu. Em uma sociedade em que a aceleração do tempo tolhe a reflexão, o luto passa a ser visto como patologia e a sua extensão se torna proibida: é preciso remediá-lo a todo custo. Assim, quem diria: a modernização, com suas promessas, desumanizou também a morte. Com o desdobramento de uma sociedade que precisa operar sobre à fantasia da eterna juventude, a morte foi escanteada e a velhice passou a ser lida como maldição.  


Com efeito, com o desdobramento de décadas funcionando sob à lógica da mercadoria, a fantasia do controle passou a marcar de maneira profunda a nossa época. Somos interpelados a todo momento por fórmulas que dizem garantir uma vida saudável, por exercícios que supostamente ajudam nossa saúde mental, por buscas hipocondríacas que tentam entender o que estamos sentindo. Enfim, pela tentativa de silenciar aquilo que não tem voz: a morte 


A fantasia não é um problema em si mesmo, pelo contrário, ela nos é constitutiva por estarmos mergulhados na linguagem; ela também não se desliga da realidade; ela é, na verdade, o pressuposto básico para que a própria realidade se torne suportável. Ela é, portanto, um dos pilares da humanização. Uma vez atravessados pela linguagem – que organiza o campo da cultura –, marcamos nossa realidade não por aquilo que nela há de real, mas por aquilo que ela pode se tornar a partir do nosso desejo .


Mais radical ainda: só podemos vivenciar a realidade através da fantasia, é ela que “fornece o enquadramento que nos possibilita vivenciar o real de nossas vidas como um todo significativo ”. Nossa realidade é inscrita na linguagem que promove uma ficção organizada a partir dos encontros e desencontros de nossas demandas pulsionais e, sobretudo, do desejo que guia nosso olhar sobre o mundo. O paradoxo é que há algo de ilimitado à relação que temos com nossas pulsões, enquanto nosso corpo é limitado e se torna envelhecido. Essa contradição marca nossa relação com a morte.
   

É nesse sentido que, em um texto vertiginoso, Freud acaba denunciando a impossibilidade de nosso inconsciente apreender a morte, justamente por seu caráter não simbolizável. Se pensar sobre o fim de nossa existência pode ser assustador, não pensar pode ser traumático e debilitante. Montaigne dizia que é loucura furtar-se a essa ideia, pois, quando ela recai sobre quem amamos, quantos tormentos, gritos, imprecações e desespero sentimos.


O convite do presente curso é justamente desafiar o estúpido consenso atual que, ao não pensar sobre a morte, torna-a banal, fazendo-nos imaginar que a morte é sempre a do outro, aliviando-nos por não sermos sua vítima, até que, enfim, ela nos atravessa. Essa banalidade também parece ser responsável por ignorarmos, insensíveis, a morte dos outros, por estarmos tranquilos enquanto são os outros que morrem. Se a consciência da morte é um traço distintivo da humanidade, parece que torná-la proibida nos torna piores. É isso que o presente curso visa combater.    

 

Aula 1: A humanidade diante da morte
•    Educando a perda
•    O papel da religião
•    O ato de despedida


Aula 2: O luto e suas contradições
•    A rejeição da morte
•    A mudança da vida
•    Viemos acompanhados e partiremos supervisionados


Aula 3: O desespero humano
•    A psicanálise diante da morte
•    O luto como laço
•    Viver é melhor que sonhar


Aula 4: A negação do luto
•    Goze
•    A proibição da despedida
•    A tristeza vista como patologia

Referências

ARIÈS, Philippe. O homem diante da morte. Tradução de Luiza Ribeiro. São Paulo: Editora UNESP, 2014.

BLOCH, Ernst. O princípio esperança. v. 3. Tradução de Nélio Schneider. Rio de Janeiro: EdUERJ; Contraponto, 2005.

DUNKER, Christian Ingo Lenz. Lutos finitos e infinitos. São Paulo: Paidós, 2017.

ELIADE, Mircea. História das crenças e das ideias religiosas. Tradução de Roberto Cortes de Lacerda. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

FREUD, Sigmund. Considerações atuais sobre a guerra e a morte. In: FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914–1916). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, Sigmund. Luto e melancolia. In: FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914–1916). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Meneses. Petrópolis: Vozes, 2014.

KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

LACAN, Jacques. Escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

LACAN, Jacques. Outros escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

LACAN, Jacques. O seminário, livro 7: a ética da psicanálise (1959–1960). Tradução de Antônio Quinet. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

LACAN, Jacques. O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964). Tradução de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Abril Cultural, 1972.

PEREIRA FRANCO, Maria Helena. O luto no século XXI: uma compreensão interdisciplinar do sofrimento humano. São Paulo: Summus, 2010.

PLATÃO. Apologia de Sócrates. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.

 

AS AULAS SERÃO MINISTRADAS ONLINE ATRAVÉS DO GOOGLEMEET

Certificado será disponível aqueles que cumprirem 70% da carga horária

TURMAS ABERTAS

Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros? (Drummond)

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